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Do Que É Feito o Filamento da Impressora 3D? PLA, PETG e TPU

10 min de leitura
Do Que É Feito o Filamento da Impressora 3D? PLA, PETG e TPU

Cada filamento é feito de um plástico diferente. O PLA é ácido polilático, um plástico feito a partir do açúcar de plantas como milho e cana. O PETG é o mesmo PET da garrafa com um segundo glicol na receita, e a base do PET vem do petróleo. O TPU é um poliuretano termoplástico, e por isso dobra. Em cima desse plástico de base, o fabricante junta pigmento pra dar cor e, em alguns rolos, aditivos que mudam o brilho, a textura ou o comportamento da peça.

A pergunta parece de curioso, mas a resposta explica coisas práticas: por que o PLA quebra em vez de entortar, por que o PETG aguenta mais calor no carro e por que o TPU pede uma impressora com extrusora perto do bico.

A resposta curta: cada filamento vem de um plástico diferente

O filamento é um fio de plástico com diâmetro controlado, enrolado num carretel. O que muda de um rolo pro outro é o plástico de base. A tabela resume os três mais comuns. Os números da última coluna são das fichas da fabricante mineira 3D Fila (páginas de PLA, PETG e TPU, lidas em 22/10/2026). Outra marca vai trazer números um pouco diferentes, mas a ordem entre os três costuma ser essa.

FilamentoÉ feito deDe onde vem a matéria-primaO que isso muda na peça
PLAÁcido poliláticoAçúcar de plantas (milho, cana, mandioca ou beterraba), fermentadoRígido: estica só de 4 a 10% antes de romper; amolece por volta de 50 a 55 °C
PETGPET modificado com um segundo glicolA base do PET é petroquímicaMais tenaz: estica de 15 a 30%; aguenta de 70 a 80 °C
TPUPoliuretano termoplásticoQuímica do poliuretano (diisocianato e poliol)Dobra e volta: estica de 300 a 500%; aguenta de 60 a 70 °C

A coluna de temperatura é a HDT, a temperatura em que a peça começa a ceder sob uma carga leve. É o número que importa pra saber se a peça deforma no painel do carro ou perto de uma lâmpada.

O ABS, outro filamento comum, é um plástico de petróleo (acrilonitrila butadieno estireno). Ele fica de fora deste post porque o blog não recomenda ABS pra quem imprime em casa.

PLA: amido de milho ou cana virado plástico

PLA é a sigla em inglês de ácido polilático. A NatureWorks, fabricante americana da resina Ingeo, explica na página da tecnologia Ingeo (lida em 22/10/2026) como o plástico nasce:

  1. As plantas passam por uma moagem que separa o amido.
  2. Enzimas transformam esse amido em dextrose, um tipo de açúcar.
  3. Microrganismos fermentam a dextrose e produzem ácido lático.
  4. Um processo químico em duas etapas junta as moléculas de ácido lático em anéis chamados lactídeo.
  5. Os anéis são abertos e ligados em cadeias longas. Essa cadeia é o polímero, o PLA.

Quem fabrica filamento recebe esse plástico em grãos e derrete tudo numa extrusora até virar fio.

Trabalhador de chapéu e luvas cortando cana-de-açúcar com facão numa plantação

Milho ou cana? Depende de onde a resina é feita. A página de matérias-primas da NatureWorks (lida em 22/10/2026) diz que o ácido lático deles pode vir da fermentação de mandioca, amido de milho, cana-de-açúcar ou beterraba, escolhidas pelo que é mais abundante na região da fábrica. A mesma página não informa quanto de planta vai em cada quilo de resina, então qualquer conta de "espigas por rolo" que você encontrar por aí é chute.

Pelo menos uma fabricante brasileira diz usar essa resina. A página de PLA da 3D Fila (lida em 22/10/2026) diz que o PLA deles é "derivado de fontes naturais como o milho e a cana de açúcar" e fabricado com matéria-prima americana, citando a Ingeo NatureWorks.

O que isso muda na peça. O PLA é rígido e pouco elástico. Pela ficha da 3D Fila, ele estica só de 4 a 10% antes de romper. Por isso uma peça de PLA forçada costuma estalar em vez de entortar. A outra fraqueza é o calor: a ficha do PLA High Speed da Anycubic (lida em 22/10/2026) marca 52 °C de HDT, na mesma faixa da 3D Fila. Peça de PLA esquecida no carro ao sol pode empenar.

Se o problema é o fio quebrando ainda no rolo, antes de imprimir, a causa é outra (umidade, ponta gasta ou resistência no caminho até a extrusora), e está explicada em filamento quebrando ou quebradiço.

PETG: o PET da garrafa com um ingrediente a mais

PET é o polietileno tereftalato, o plástico da garrafa de refrigerante. Um resumo de pesquisadores da UnB e da Embrapa Agroenergia (lido em 22/10/2026) descreve o PET como um polímero "derivado do petróleo", feito a partir de ácido tereftálico e etilenoglicol.

O PETG pega essa receita e troca um ingrediente. A fabricante de plásticos Spartech define, na página de resina PETG (lida em 22/10/2026), o PETG como PET com a adição de um segundo glicol, o que deixa o material totalmente amorfo (tradução nossa). Amorfo quer dizer que as cadeias do plástico ficam bagunçadas, sem formar cristais. A 3D Fila resume do jeito mais simples na página de PETG: o PET "pense no plástico de garrafas", e o G vem do glicol modificado.

É por isso que garrafa PET e filamento PETG não são a mesma coisa, mesmo com o nome quase igual. O post sobre filamento de garrafa PET mostra o que acontece quando alguém tenta transformar uma no outro.

O que isso muda na peça. Pela ficha da 3D Fila, o PETG estica de 15 a 30% antes de romper, contra 4 a 10% do PLA, e aguenta de 70 a 80 °C de HDT. Na prática, é o filamento pra peça que leva pancada ou passa calor. O lado chato: a mesma ficha avisa que ele é sensível a retração longa, o que facilita aparecer fio entre as partes da peça. Os detalhes de impressão estão no guia do PETG, o filamento resistente.

TPU: o filamento que dobra

TPU é a sigla em inglês de poliuretano termoplástico. A página de TPU da 3D Fila descreve o filamento flexível deles como "fabricado com TPU (termoplástico Poliuretano)", com dureza 95A na escala Shore A.

O segredo da flexibilidade está no desenho da molécula. Um estudo publicado na revista Materials em novembro de 2020 (Jin e colegas, acesso aberto, lido em 22/10/2026) explica que o TPU é feito de blocos que se alternam: segmentos moles, formados por cadeias longas e flexíveis de poliol, e segmentos duros, formados por diisocianato e um extensor de cadeia. Segundo o mesmo estudo, os segmentos moles ficam com a maior parte, de 50 a 90% do material. Em palavras simples: a parte mole deixa dobrar, a parte dura segura a forma.

O que isso muda na peça. O número que chama atenção é o alongamento: de 300 a 500% na ficha da 3D Fila. Uma tira de TPU estica várias vezes o próprio tamanho antes de romper. A ficha lista amortecedor, pé, roda e capa como usos típicos.

Esse mesmo fio mole é o que dá trabalho na impressora. A ficha da 3D Fila lista extrusora direct drive (o motor que empurra o fio fica colado no bico), retração baixa e velocidade moderada como pontos críticos pra imprimir TPU 95A.

E o que dá cor e brilho: pigmento e aditivo

Filamento não é só o plástico puro. A fabricante polonesa Spectrum, por exemplo, escreve na página do PET-G Premium (lida em 22/10/2026) que a produção usa grânulos de plástico e pigmentos. O pigmento dá a cor. Nos rolos especiais, entra mais coisa:

  • Silk (brilho de seda): a ficha de PLA Silk da 3D Fila (lida em 22/10/2026) diz que o material amolece abaixo do PLA comum "devido aos aditivos", com HDT de 40 a 45 °C.
  • Matte (fosco): a ficha de PLA Matte da 3D Fila atribui a HDT menor (45 a 50 °C) à presença de cargas minerais, e diz que ele é mais frágil que o PLA comum (alongamento de 2 a 6%).
  • Madeira: a ficha de PLA Wood da 3D Fila fala em partículas de madeira e recomenda bico de 0,5 mm ou mais pra reduzir o risco de entupimento.
  • Brilha no escuro: a página de PLA Fosforescente da mesma marca descreve um filamento que absorve a luz e depois emite brilho no escuro.

Mãos segurando um copo de vidro cheio de grãos de plástico azul e uma peça azul pronta, na frente de um monitor

O padrão que aparece nas fichas da 3D Fila: o aditivo muda o acabamento e, em troca, a peça perde um pouco de resistência ao calor (silk e matte) ou de força (matte e madeira). Nem toda marca revela a receita. A página do PLA Velvet da Voolt3D (lida em 22/10/2026), por exemplo, descreve acabamento semi-fosco e textura aveludada, mas não diz o que vai na mistura. No nosso estoque tem PLA V-Silk HS e PLA Velvet da Voolt3D, PLA da MasterPrint e PETG MasterPrint: por fora, rolos de cores e acabamentos bem diferentes; por baixo, só dois plásticos de base.

Vale lembrar: Velvet e Silk continuam sendo PLA e imprimem rígidos. Quem quer peça que dobra precisa de TPU.

Ser de milho deixa o PLA biodegradável?

Não do jeito que muita gente imagina. A própria NatureWorks, na página de compostagem (lida em 22/10/2026), diz que alguns produtos feitos com Ingeo, dependendo da aplicação, compostam em instalações municipais ou industriais, e avisa que o número dessas instalações é limitado e pode não existir perto de você (tradução nossa). O processo depende de temperatura, umidade e tempo. Até loja que escreve "biodegradável" na página, como a 3D Fila, põe a ressalva de que existem "condições específicas de compostagem".

Ou seja: vir de planta muda a origem do plástico, não o fim dele no seu quintal. Peça de PLA enterrada continua sendo plástico. O que dá pra fazer com sobra e peça falhada está no post sobre como reciclar filamento.

Perguntas frequentes

O PLA é feito de milho mesmo?

Pode ser de milho, mas não só. A NatureWorks lista mandioca, amido de milho, cana-de-açúcar e beterraba como fontes do ácido lático, conforme a região onde produz.

Quanto milho vai num rolo de 1 kg?

A página de matérias-primas da NatureWorks não traz quantidade por quilo, e não achamos esse número em fonte confiável. Desconfie de quem cita um valor sem dizer de onde tirou.

PETG é feito de garrafa reciclada?

Não por definição. O PETG é um PET fabricado com um segundo glicol na receita, e a garrafa é PET comum. Existem projetos que transformam garrafa em filamento, mas o resultado é PET, não PETG.

Qual dos três é melhor pra começar?

O PLA, porque imprime em temperatura mais baixa e quase não empena. Quando a peça precisar aguentar calor ou pancada, o PETG entra. A comparação completa, com o ABS no meio, está em PLA vs PETG vs ABS.

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Sou o Ruan, de Contagem/MG. Imprimo em 3D desde março de 2026 nas minhas Anycubic Kobra S1, Kobra 3 V2 e Kobra X. Os custos, tempos e margens que você lê aqui vêm da bancada real — medidos na mão, não de teoria.

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