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Como Secar Filamento: 3 Métodos e Qual Funciona

11 min de leitura
Como Secar Filamento: 3 Métodos e Qual Funciona

Para secar filamento você tem três caminhos, e o melhor depende do que já está na sua bancada: a mesa aquecida da própria impressora (grátis, é o que eu uso), o secador dedicado (o mais prático, seca enquanto imprime) e o forno da cozinha (último recurso, o único que destrói rolo). Respeite a temperatura: PLA a 45-50 °C por 4 a 6 horas, PETG a 60-65 °C por 6 horas, TPU a 50 °C por 8 horas. Passar disso amolece o fio e as voltas se soldam no carretel. Como secar filamento não termina no timer: pese o rolo antes e depois e guarde na hora em caixa hermética com sílica, senão em 48 horas ele volta a puxar umidade.

Rolo de filamento branco deitado no centro da mesa aquecida de uma impressora 3D, sobre folha de papel alumínio, com a tampa do gabinete encostada deixando uma fresta

O teste de 2 minutos antes de secar

Filamento molhado não muda de cor. Antes de gastar 6 horas, faça o teste do bico: aqueça o hotend e extruda 100 mm no ar. Seco sai liso e contínuo; úmido sai borbulhando, chia e estala. Esse "tec... tec" é água virando vapor, e é o sinal mais confiável que existe.

Stringing teimoso é o segundo sinal: se você já mexeu na retração três vezes e os fios continuam, o problema não está no slicer. Leia o guia de stringing na Kobra S1 depois de secar — calibrar em cima de filamento molhado grava o erro no perfil. O checklist com foto de cada sintoma está em os 5 sinais de que seu filamento precisa de secagem.

Como secar filamento: o passo a passo dos 3 métodos

O princípio é o mesmo nos três: aquecer o filamento até a água evaporar, sem chegar perto da temperatura em que o plástico amolece. O que muda é o controle que você tem sobre isso — e é só isso que separa o rolo salvo do rolo perdido.

Método 1 — Mesa aquecida da impressora (custo quase zero, é o que eu uso)

A mesa é uma resistência com controle de temperatura de verdade, bem mais precisa que o forno. Se a sua máquina tem enclosure, esse método ganha dos outros dois de graça.

  1. Deixe a placa PEI no lugar e ponha uma folha de papel alumínio entre a chapa e o rolo, só pro carretel não marcar a textura. A 50 °C não há risco pro ímã da mesa: ela trabalha a 60-100 °C imprimindo.
  2. Programe a mesa em 50 °C direto pelo painel, sem gcode nenhum, e deixe o hotend desligado.
  3. Ponha o rolo deitado no centro, onde o aquecimento é mais uniforme.
  4. Feche o gabinete, mas deixe uma fresta. Máquina fechada segura o calor; a fresta deixa a água sair.
  5. Vire o rolo na metade do tempo. A parte de baixo aquece bem mais que a de cima.
  6. Não use a impressora nesse período. Ela está trabalhando de estufa.

Método 2 — Secador dedicado (o mais prático pra quem imprime toda semana)

  1. Ajuste pela tabela abaixo. No PLA, 45-50 °C.
  2. Ponha o rolo inteiro lá dentro, com a ponta presa no furinho do carretel.
  3. Deixe a saída de ar aberta. Secador vedado sem respiro só recircula a mesma umidade.
  4. Rode o tempo cheio: 4 a 6 horas no PLA, 6 no PETG.
  5. Imprima direto do secador se ele tiver passagem de filamento — seca e imprime ao mesmo tempo, e a máquina não fica parada.

Custa dinheiro, e é a única desvantagem. Se está decidindo se compra um, comparei os cenários em secador de filamento vs. forno doméstico.

Método 3 — Forno doméstico (funciona, mas é o mais perigoso)

Secar filamento no forno é tentador porque ele já está na cozinha. Só que foi feito pra assar a 180 °C, não pra segurar 50 °C, e o termostato erra fácil 20 °C pra cima.

  1. Compre um termômetro de forno de R$20 e coloque na grade. Não confie no botão. Esse passo não é opcional.
  2. Ligue no mínimo, espere estabilizar e leia o termômetro. Se o mínimo do seu forno for 100 °C, pare aqui: não serve pra PLA.
  3. Deixe a porta encostada com uma colher de pau no vão. Derruba a temperatura e deixa a umidade escapar.
  4. Carretel de papelão vai junto sem medo; carretel de plástico já empenado da loja, não. E nunca desenrole o filamento pra secar solto: ele embaraça e você perde o quilo de outro jeito.
  5. Acompanhe o termômetro nos primeiros 20 minutos. Se subir, desligue, espere cair e religue.

Cuidado

Forno a gás é o pior cenário: trabalha em ciclos de chama e a temperatura oscila bem acima da média que o termômetro mostra. Se o seu é a gás, use a mesa da impressora.

Tabela: temperatura e tempo por material

Vale imprimir e colar na parede da bancada. A coluna da direita é a que salva o rolo.

MaterialTemperatura de secagemTempoPonto em que amolece (não passar)
PLA comum45-50 °C4-6 h~60 °C
PLA Silk / Velvet45 °C5-6 h~60 °C (perde o brilho antes de deformar)
PETG60-65 °C6 h~80 °C
TPU (flexível)50 °C8 h~60 °C
Sílica indicadora (regenerar)120 °C2-3 hnão se aplica

Quem procura como secar filamento PLA costuma tentar 60 °C achando que "quanto mais quente, mais rápido". Não é. A 60 °C o PLA entra na transição vítrea: não derrete, amolece — e as voltas se soldam umas nas outras. Aí o extrusor puxa, o filamento não desenrola e o quilo vira lixo. PETG é mais folgado: aguenta 65 °C porque só amolece perto de 80 °C, o que faz dele o mais fácil de secar em casa — vale entender por que o PETG resiste mais que o PLA.

Rolo de filamento preto dentro de um secador de bancada com tampa transparente, sobre mesa de oficina

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O que eu uso aqui: mesa da Kobra S1 e caixa com sílica

A Kobra S1 Combo virou minha estufa oficial porque tem enclosure: o gabinete segura o calor e a fresta deixa o vapor sair. O forno da cozinha não faz as duas coisas ao mesmo tempo, e é por isso que ele fica em terceiro lugar aqui em casa.

Conta de luz: a S1 puxa cerca de 0,35 kW/h imprimindo com a mesa a 60 °C. Secando, só a mesa liga e a 50 °C, então o consumo real fica abaixo disso. No pior caso, 6 h × 0,35 kW × R$1,03/kWh (tarifa CEMIG aqui em Contagem) dá R$2,16 por rolo — contra um quilo de PLA a R$96 que ia pro lixo.

A medição minha que virou regra: com o termômetro infravermelho apontado no topo do carretel, dá 8 a 10 °C de diferença entre a mesa e a parte de cima do rolo na S1 com a tampa encostada. Por isso virar o rolo na metade não é frescura — sem isso, metade do quilo fica perto de 40 °C e não seca.

Duas coisas que você precisa medir na SUA máquina, porque variam de casa pra casa:

  • Peso do rolo antes e depois. Balança de cozinha de R$40 resolve. Perdeu peso, tinha água. Não perdeu nada, o problema era outro — e você economizou horas de tentativa e erro no slicer.
  • A diferença de temperatura na sua mesa. A minha dá 8-10 °C; mesa maior ou com corrente de ar dá bem mais. É esse número que define se 6 horas bastam ou se você precisa de 8.

O armazenamento importa mais que a secagem. Aqui é caixa hermética de R$25 com sílica indicadora (laranja seca, verde saturada), e o rolo entra assim que sai da estufa, ainda morno. Quando a sílica vira verde, vai pro forno a 120 °C por 2-3 horas e volta laranja. Montei o esquema completo em como guardar filamento 3D.

Bico quente de impressora 3D extrudando um fio fino de plástico no ar, o fio caindo em espiral sobre a mesa da máquina

Dica

Anote o peso a caneta no próprio carretel na primeira vez que abrir o saco. Sem esse número de referência você nunca vai saber se a secagem funcionou.

O que dá errado

Você seca e não guarda. O erro número um, disparado. Secar 6 horas e deixar o rolo na bancada é jogar as 6 horas fora — em dois dias ele volta ao estado anterior. Sem caixa hermética, nem comece.

Você usa o micro-ondas. Ele aquece a água, não o plástico: os pontos com água esquentam demais, o resto não esquenta nada, e você cria bolhas de vapor dentro do fio. Fora o risco de fogo no carretel.

Você deixa o secador vedado, sem respiro. A água vira vapor, bate na tampa, condensa e volta pro rolo.

Você seca com a etiqueta de papel colada. Papel absorve e devolve umidade dentro da caixa. Fotografe e tire.

Você culpa o filamento barato. Rolo de outlet costuma ser sobra de lote ou cor parada, e boa parte chega com o saco sem vácuo. Eu compro PLA Voolt3D no outlet já contando que o primeiro passo é secar — mesmo somando os R$2,16 de energia, sai bem abaixo do premium.

Você seca a 60 °C achando que acelera. O PLA não precisa derreter pra grudar. Ele amolece, as voltas se soldam e o extrusor não puxa mais.

Caixa plástica hermética fechada com dois rolos de filamento dentro e saquinhos de sílica laranja ao lado, na prateleira da oficina

Perguntas frequentes

Filamento novo, lacrado, precisa secar?

Depende de quanto tempo ficou parado no estoque. Se veio a vácuo e a sílica está dura, imprima direto. Se o saco está frouxo, extruda 100 mm no ar antes. Custa dois minutos.

Dá pra secar o rolo dentro do ACE Pro?

Dá, com a expectativa certa. O ACE Pro é o sistema de troca automática de cor da Kobra e tem função de secagem embutida, mas trabalha em temperatura baixa, com o rolo fechado e pouca saída de ar. Serve pra manter seco um rolo que já está seco. Pra resgatar rolo encharcado, seque fora primeiro e só depois devolva pro ACE. E lembrando: ACE Pro é alimentador, não é impressora — não tem hotend nem mesa próprios.

Quanto tempo o filamento seco dura fora da caixa?

Em clima seco, alguns dias. Em dia de chuva aqui em Minas, o PLA já dá sinal em 24-48 horas e o TPU em menos de 12. TPU e nylon puxam água bem mais rápido que PLA e PETG — esses eu nem tiro da caixa a não ser na hora de imprimir.

Secar filamento estraga a cor ou o brilho?

Na temperatura certa, não. Acima dela, sim: Silk e Velvet perdem o acabamento antes mesmo de deformar, porque a camada externa que dá o efeito é a primeira a sofrer. Por isso na tabela eles ficam 5 °C abaixo do PLA comum.

Preciso secar toda vez que vou imprimir?

Não. Seque quando aparecer sintoma ou quando o rolo passou dias fora da caixa. Secar por rotina, sem sinal nenhum, só gasta energia.

A mesa aquecida funciona em impressora aberta, sem enclosure?

Funciona, só demora mais e seca menos: o calor escapa e o topo do rolo fica frio demais — a diferença que na minha S1 é de 8-10 °C vira bem mais. Improvise uma cobertura de papelão por cima (nunca encostando na mesa) e aumente o tempo em 2 horas.

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Ruan — Tamo Tudo 3D

Sou o Ruan, de Contagem/MG. Imprimo em 3D desde março de 2026 nas minhas Anycubic Kobra S1, Kobra 3 V2 e Kobra X. Os custos, tempos e margens que você lê aqui vêm da bancada real — medidos na mão, não de teoria.

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